sexta-feira, 25 de março de 2011

Cerimonia "Gótica"- Moda, estilo de vida ou contracontrole ?......... (Fotos, 45)

O QUE É O CONTRACONTROLE?

Skinner (1981), em seu livro "Ciência e Comportamento Humano", aborda criticamente diversas agências controladoras presentes na atualidade, tais como: o governo e lei, a religião, a psicoterapia, o controle econômico e a educação, explicando seu poder de controle através de uma análise das relações funcionais estabelecidas nestas agências. Sendo o tema bastante extenso, abordaremos apenas o Governo e a Lei neste trabalho. Ao discutir as agências controladoras, e mais especificamente o governo e a lei, Skinner preocupou-se com certas espécies de poder, sobre as variáveis que afetam o comportamento humano e com as práticas controladoras que podem ser empregadas por causa deste poder, pois na verdade, uma agência controladora, juntamente com os indivíduos que controla, constitui um sistema social.

"O contracontrole ocorre quando os controlados escapam ao controlador- pondo-se fora do seu alcance, se for uma pessoa; deserdando de um governo; apostasiando[fuga, renúncia]de uma religião; demitindo-se ou mandriando[ indolência] - ou então atacam a fim de enfraquecer ou destruir o poder controlador, como numa revolução, numa reforma, numa greve ou num protesto estudantil. Em outras palavras, eles se opõem ao controle com contracontrole".

Skinner (1983), afirma que, "infelizmente, nós chegamos à conclusão de que todo controle é errado, que é algo de que devemos fugir. Nós não reconhecemos o fato de que nós também somos controlados quando fazemos o que queremos, quando nos sentimos livres"

Skinner enfatiza que o reforçamento positivo se diferencia do controle aversivo pelo fato de que o último produz esquiva ou fuga, o que não ocorre no caso do primeiro. Nas situações em que o reforçamento positivo está presente, emerge, então, o chamado "sentimento de liberdade" (uma espécie de "conforto interior"), mas a ênfase neste "sentimento" tende a obscurecer o mais importante a ser observado: o tipo de controle produzido. Sobre este problema, afirma Skinner:

O fato importante não é que nos sentimos livres quando somos reforçados positivamente, mas que nós não tendemos a fugir ou contra-atacar. Sentir-se livre é um importante indicador de um tipo de controle que se distingue pelo fato de que não produz contra-controle (Skinner, 1974, p. 197).

A ênfase no "sentimento de liberdade" falha em perceber aspectos da maior relevância no controle do comportamento humano. A ausência de uma tendência a fuga ou contra-controle é, mais do que o sentimento a ela associado, a característica a ser enfatizada do reforçamento positivo. Isso porque, para Skinner, conseqüências aversivas retardadas podem estar envolvidas no controle por reforçamento positivo, sem que sejam claramente notadas ou enfatizadas, em virtude de sua distância temporal do comportamento em questão. Dentre os diversos exemplos enumerados por Skinner a este respeito, podemos destacar dois: no primeiro, a prática governamental de, em vez de criar novos impostos, instituir novas loterias. O resultado, segundo Skinner, "... é o mesmo: os cidadãos dão dinheiro ao governo, mas sentem-se livres e não protestam no segundo caso. Todavia, estão sendo controlados, tão poderosamente quanto [seriam] pela ameaça de punição..," (Skinner, 1974, p. 198).

Emmanuel Zagury Tourinho, “Individualismo, Behaviorismo e História”

Fonte:http://pepsic.homolog.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1993000200002&lng=pt&nrm=iss&tlng=pt.

Lídia Natália Dobrianskyj WeberAlgumas notas sobre o conceito de poder em Skinner”